No balanço anual mais recente (encerrado em 31 de dezembro de 2025), a Azul tinha ativo total de R$ 22,4 bilhões e passivo total de R$ 51,6 bilhões — patrimônio líquido negativo de R$ 29,2 bilhões. Isso significa que o que a empresa deve é 2,3 vezes maior que tudo o que ela possui. É o pior indicador entre as três grandes companhias aéreas brasileiras.
A Gol também fechou 2025 no vermelho: patrimônio líquido de R$ -8,8 bilhões, com passivo de R$ 41,1 bilhões contra ativo de R$ 32,3 bilhões — passivo 1,27 vez maior que o ativo. Só a LATAM (TAM Linhas Aéreas) teve patrimônio líquido positivo entre as três: R$ 7,2 bilhões, com passivo (R$ 19 bilhões) menor que o próprio ativo (R$ 26,1 bilhões).
O mesmo padrão aparece na dívida financeira direta — empréstimos e financiamentos, sem contar obrigações operacionais como leasing de aeronaves: R$ 15,3 bilhões na Azul e R$ 11,1 bilhões na Gol, contra R$ 288 milhões na LATAM. Patrimônio líquido negativo não é sinônimo de insolvência imediata — pode conviver com operação normal por anos, sobretudo com dívida renegociada ou de longo prazo —, mas mede, no papel, quanto uma empresa deve além do que possui.