O CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, da Força Aérea Brasileira) emite recomendações de segurança ao final de cada investigação de acidente ou incidente aeronáutico — medidas concretas pra reduzir o risco de repetição. Das 2.786 recomendações no cadastro público do CENIPA, 173 estão marcadas como não cumpridas. 156 delas — 90% do total — têm como destinatário a própria ANAC, a autarquia responsável por regular e fiscalizar a aviação civil brasileira.
A mais antiga é de 10 de agosto de 2007: a recomendação 035/A/07, pra avaliar o projeto do hopper (reservatório de agrotóxico) das aeronaves agrícolas EMB-201A, emitida após um acidente em janeiro daquele ano. Quase 19 anos depois, segue sem resposta registrada.
A maior parte do acúmulo é de 2010 a 2013 (99 das 156) — como a recomendação 060/D/10, de março de 2010, pra que a ANAC impedisse pilotos de aeronaves agrícolas de transportar passageiros a bordo (aeronaves homologadas só pra operar com o tripulante). Mas o problema não é só arquivo morto: 25 recomendações foram emitidas em 2025, incluindo uma de abril cobrando fiscalização da empresa Bom Futuro Agrícola Ltda. sobre gestão de segurança operacional — originada de um acidente de 2022 em Tapurah (MT).
Os temas variam: projeto de aeronave, padronização de treinamento de piloto, fiscalização de manutenção, infraestrutura de combate a incêndio em aeródromo. Em comum, todas dependem de uma ação regulatória que, segundo o próprio cadastro do CENIPA, a ANAC ainda não tomou.